Casos de ônibus…

créditos: http://nonentity-sam.deviantart.com/
Sexta feira, indo de ônibus(eta vidão!) para o Shopping, presenciei uma cena que deve acontecer no mínimo mil vezes por dia em diferentes pontos do país, ou até do mundo. O que é um reflexo da ignorância de uns, da pobreza de outros, e da burrice de todos.
Estava eu sentado no banco junto ao meu amigo, quando entra um homem, com uma daquelas malinhas típicas de nordestino que trabalha como peão, e provavelmente vindo do trabalho. A tarifa do ônibus é R$2,25, um assalto mesmo, mas quem não tem cão(carro), caça com gato(ônibus).
Eis que, faltou 50 centavos para o homem pagar a tarifa do ônibus por completo, e o coitado do cobrador(provavelmente nordestino também) simplesmente disse: “Senhor, não posso deixar você passar. Se não quiser descer no próximo ponto, vá até o fundo do ônibus e peça para alguém passar o cartão para você.”
O homem então passou pela roleta sem pagar, e pediu para uma mulher passar o cartão para ele, ela passou o cartão e tudo certo.
Após uns 5 minutos, ou até mesmo mais, começou uma discussão no fundo do ônibus, o cara dos 50 centavos, mais a mulher que pagou a passagem pra ele: “Esse país é uma absurdo! Voltando do trabalho, não tenho 50 centavos e tenho que passar por essa vergonha! E blá blá blá…”. Então até uma outra mulher que nem fazia parte de nada, começou a reclamar também. E dentro do ônibus já é um inferno, aquele barulho que arrepia do freio velho, a lataria toda solta fazendo barulho quando passa em buracos, os carros do lado de fora, e agora 3 pessoas falando sujidades, e eu com uma dor de barriga me matando, me deu uma vontade de mandar todos tomarem no oríficio anal deles.
O cobrador então(com sotaque nordestino), pôs-se a se defender grosseiramente, de que era o trabalho dele, que ele recebia ordens, e não podia descumpri-las pois no final do dia de trabalho dele, quem iria ter de pagar os 50 centavos seria o próprio.
E com essa história toda eu quis dizer o quê? Que todo mundo pensa que o mundo gira em torno deles, somos egoístas, e achamos que as pessoas tem que viver em função da gente, ou seja, nos achamos a última ruffles do saquinho, e na verdade somos os farelo.
Porém, observemos que: o cobrador poderia ter sido mais educado, o homem mais compreensivo e menos ignorante, a mulher foi a única certa, solidária, apesar de ter reclamado no final, e a outra mulher podia ter cuidado da vida dela, porque de nada interessava aquela história praquela intrometida.
Moral da história: da mesma forma que faltara 50 centavos na passagem do homem, os 50 centavos que supostamente seriam pagados pelo cobrador caso ele aceitasse o homem passar pagando R$1,75, poderiam faltar para comprar a comida dos filhos dele, remédios, ou coisas muito mais importantes, e que não poderiam ser levadas faltando 50 centavos. Então pensem além antes de se acharem a última abelha do favo de mel, mas sejam educados para terem, pelo menos, razão.
