Operário é minha vida

Moro em Ponta Grossa no Paraná, tenho 46 anos e sou dono de uma grande empresa de Fertilizantes. Junto com Deus e Minha Família, o Operário Ferroviário Esporte Clube está no meu coração. E hoje um sonho se realiza na vida de milhões de Ponta Grossenses como eu: ver o Operário na final da Libertadores da América.
Os tempos difíceis que este time passou foram muitos. Desde a época em que vergonhosamente caímos para a segunda-divisão do Campeonato Estadual problemas atacaram a estrutura do clube e por 15 anos tivemos que ver os times do interior na hegemonia do futebol no Paraná. Ponta Grossa, a capital do Estado do Paraná via-se acuada. É bem verdade que o Guarany em seu vermelho e preto ainda estava na Primeira Divisão, mas nem chegava a disputar o título, também nem era ameaçado de rebaixamento. Mas enfim, o Operário agonizava.
Porém no coração dos bravos a esperança continuava a asustar os sentimentos pessimistas. E o time de futebol que é a minha vida, a minha morte, o meu amor, subiu novamente para a Primeira Divisão. Daí em diante não parou mais, foi uma explosão de vigor daquele time antes morto. Foi campeão da Divisão de Acesso, campeão Paranaense, campeão das séries C, B, A e havia conseguido jogar uma das semi-finais da Copa do Brasil. E então alçou voo para chegar no dia de hoje a uma final de Libertadores.
Nunca vi esta cidade tão em festa, tão feliz com um acontecimento. Os dois milhões de habitantes que aqui residem estão quase que na sua totalidade torcendo para o Operário, até mesmo os defensores do arqui-rival Guarany. O estádio Germano Kruger irá lotar para receber o duelo entre Boca Juniors e Operário. O primeiro jogo na Argentina cunhou o placar de empate em 1 a 1, então para esta partida quem ganhar será o campeão.
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Aqui no meio do grito de 45mil torcedores Operarianos, eu choro, o juíz apitou, o 2 a 1 torna o Operário campeão da Libertadores. É a maior emoção da minha vida, abraço minha esposa e filha como jamais fiz. Agora a galera começa a pular todos juntos, o estádio treme, o mundo é nosso, Operário Campeão.
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Deixei minha esposa e minha filha em casa e saí comemorar com o pessoal da oficina. Fomos até as avenidas próximas do estádio. A torcida cantava sem parar, os jogadores em cima de um caminhão de bombeiros faziam a festa, eu e todo mundo bebia como se o mundo agora pudesse acabar, porque tudo o que mais queríamos aconteceu.
A vontade de mijar apareceu, corri até um poste.
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“O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO ANACLETO BARBOSA?” A mulher pulou da cama, acendeu a luz e falou apoiada num misto de surpresa e indignação: “VOCÊ MIJOU NA CAMA!”
O incidente ficou reservado entre o casal. No outro dia o máximo de futebol que Anacleto Barbosa comentou com os colegas também mecânicos na Oficina do Maneco foram os três gols do Obina sobre o Corinthians.
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foto: operario.com
*Este post é uma pequena homenagem ao meu time do coração, espero que finalmente o profissionalismo tome conta da Vila, que a reforma do estádio venha, e que o Operário faça bom proveito da vaga na Champions League Paranaense. Estarei lá em cada jogo, torcendo e vibrando com as conquistas futuras do meu querido Fantasma da Vila Oficinas.
**O Operário de Ponta Grossa ficou por 15 anos na segunda divisão do estado, no domingo empatou com a Portuguesa de Londrina e garantiu vaga na primeira divisão paranaense do ano que vem. Eu e o Félps estávamos lá.
