Podcasts brasileiros

São vários os malucos a pregar o fim disso ou disso lá. O rádio mataria o jornal, seria morto pelo cinema, este que seria assassinado a queima roupas pela TV que está na mira da Internet. Parece gangue de piá de prédio, prometem matar malacos mas só conseguem matar um Toddy, feito pela mamãe.
Em meio a tantas ameaças, todos sobrevivem. E nós, os sadios da cabeça ou nem tanto, consumimos de tudo. Quem não lê jornal de papel, pelo menos aos domingos, não conhece o prazer que é sentar em uma cadeira de balanço sob o sol da manhã com frio de rachar a cara (pelo menos no inverno sulista) e presenciar a imortalidade de uma palavra desenhada com tinta num papel qualquer (tá, não sento lá fora em cadeira de balanço há anos, quando leio o jornal é lá pelo fim da tarde, quando acordo). Cada um dos ameaçados apresenta seu trunfo, e aqueles que ditam o fim, ditam o crime, não passam de gatos, estes animais que lá no seu íntimo, desejam ser cães.
O rádio sempre fez parte da minha vida. Dos tempos de piá do interior que ouvia programas de variedades ao meio-dia – Grande véio nordo da Mundi Fm de Ponta Grossa, PR. Sim, eu sei que agora está na Tropical FM. Aliás, registre-se isso, que cidade não tem uma rádio chamada Tropical FM? – aos grandes discursos do Boechat às 7 da manhã no som do carro, seguidos por um toca o barco, toca a vida, porque insistir na raiva é ser pimba.
Pulando a TV e o Cinema, dos quais todos consomem entretenimento e arte em doses de duas horas ou mais ou menos, vou dizer da internet. Esta carrapato que se instalou no meu cérebro lá pelos idos de 96, quando ainda se contava acesso por hora de uso, numa conexão de 9600bps. Agora que sou um usuário mediano neste meio não consigo viver sem ler os textos dos meus blogs favoritos, participar no mercado de capitais, comunicar-me com centenas de pessoas, ver imagens engraçadas e por fim, ter acesso aos podcasts.
O que é um podcast? Perguntam-me várias vezes. Eu lá sempre respondo: é um programa de rádio gravado para ouvir a hora que bem entender. Se não é isso não sou eu que terei o trabalho de explicar detalhadamente, se interessar é a pessoa que vá atrás de saber o que realmente é.
Nunca escutava podcasts e já odiava. Preconceitos eu tenho, não escondo de ninguém, e propago o máximo possível. Mas quando algum preconceito se vai, sinto por obrigação avisar para os amigos. E aí está: to ouvindo podcasts e acho espetacular. Recomendo!
Ainda tem poucos que acompanho. Basicamente são o Nercast e o MRG. O que faço também é pegar as colunas do Salomão Schvartzman e do José Simão. Alguns outros podcasts estão na fase de avaliação.
Destaque para o Salomão Schvartzman, que hoje me acompanhou em uma caminhada de algumas horas caminhando de banco em cartório passando por locadora de vídeo, supermercado, correios e outros estabelecimentos.
Pensando a respeito, acho que meu preconceito com podcasts é que eu ouvira-os sempre no computador, e estes rebentos não foram feitos para serem escutados dessa maneira. Comer marmita em prato não tem a menor graça.
Então comprei um player de mp3 bem compacto que me acompanha nos momentos ociosos como os 30 segundos que o elevador demora para chegar na garagem, nos passeios de bike, consultas na dentista e em sinaleiros vermelhos (devo ressaltar que ando menos apressado no trânsito quando estou ouvindo podcasts, quem dirige em Curitiba pode ficar agradecido de antemão).
Por aqui ou por lá, toca o barco, como diz o Boechat. Aceito sugestão de podcasts engraçados daqueles já adeptos do assunto, e recomendo para os ainda não iniciados, que comecem a ouvir. E repassando o conselho do Salomão: Seja Feliz.
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foto: vagawi.
