Profissionais do Cabelo

Estabelecimentos de corte de cabelo são milhares, escolher e ser fiel a um pode parecer algo estranho, pois se temos tanta opções, por que iriamos sempre ao mesmo? Tive que escolher um novo e este pensamento me ocorreu.
Perguntei ao porteiro do condomínio onde poderia encontrar uma dessas casas de profissionais do cabelo, falei assim mesmo, e a entonação foi mais ou menos umadessascasasdeprofissionais de cabêlo (cabelo com sotaque meio gaúcho). Era uma piada mas ele preferiu ser conciso, vira a esquerda alí que você acha. Tá bom, não será eu o responsável por mudar seu humor, ou por deixá-lo com a cara ensanguentada.
Virando a esquerda, dois salões. Um mais chique, com tons cor-de-rosa na fachada e Unissex no banner. Cacete, será um sexo? Será um salão somente feminino? Terminologias que confundem, terceira edição. Olhei para o outro e pareceu menos gay (alegre).
Cortar o cabelo é uma arte sensível e rude ao mesmo tempo. Todas as vezes em que estou sentado confortável na poltrona com a tesoura a roçar minha cabeça tento compreender os movimentos do cabeleleiro, em vão. Cabeleleiro nem sempre é viado, mas é mais viado que pedreiro, por isso a fama. A sociedade é um bando de viadinhos, como já escrevi, é só colocar um pedreiro como referencial.
Voltando ao corte: você com certeza concorda comigo que ter o cabelo cortado é um prazer. Um prazer como poucos. Tá bem que lavar o cabelo é um porre, naquela cadeira que nos fode os músculos do pescoço, mas vale a pena. A tesoura fazendo aquele barulho de ninar a cada corte, e os dedos do profissional do cabelo massageando sua cabeça. Puxa um pouco de cabelo no meio dos dedos, passa a tesoura. A repetição é a mãe dos prazeres. Por fim, tem a máquina que te faz o rodapé da costeleta e da parte trazeira do cabelo. Ah, prelúdio do fim.
A moça terminou, saí do estado de transe absoluto e vi o resultado. Uma inominável ca-ga-da. Respirei fundo. No mesmo segundo ela parou de guardar as coisas e perguntou O que foi?, Bota meu cabelo de volta, senão o fizer chamo o Procon. Em vão a coitada tentou inserir alguns fios, então peguei o telefone e começei a discar. A menina entrou em desespero. O cabeleleiro ao lado interviu e perguntou o que estava acontecendo. Contei, ele mandou eu não ligar senão chamaria o SindiCabelo. Calei-me diante da ameaça, como todos sabem os últimos que meteram-se com o Sindicato dos Cabeleleiros tiveram profundos cortes de tesoura na cabeça nas próximas vezes que precisaram aparar o teto.
Saí encarando a platéia de clientes e aqueles malditos ratinhos do Sindicato. Ão de pagar-me por terem cortado os pêlos da minha orelha, áh se vão.
