Quevete

Quevete corria dos caras grandões da sua escola que insistiam em meter-lhe porradas depois de muito zuar com seu nome diferente. Como não tinha um amigo sequer e até a turma dos excluídos o zuava, preferia o meio do pátio da escola, quando não estava correndo dos que o sacaneavam.
No meio daquele pátio havia alguns bancos e em alguns dias conseguia um vago. Por entre tristeza, humilhação e nenhuma auto-confiança, Quevete cresceu.
Cresceu e livrou-se dos que lhe humilhavam, livrou-se dos traumas, passou sete anos na Croácia, formou-se engenheiro civil, comprou casa e carro, casou, teve filhos.
Aos 82 seu coração cansou de bater. Quevete morreu. Sua esposa mandou entalhar um epitáfio: Quevete o pai, o esposo, o engenheiro, um homem sincero e honesto como poucos.
Em menos de uma semana alguns vândalos pixaram no mármore branco com dizeres que degradavam o nome de Quevete.
