Tragédia no Supermercado

Essa história é verídica e aconteceu de verdade. Um garoto no supermercado parecia o cão. Estava cantarolando enquanto tentava se decidir qual doce iria pegar para extorquir os pais. Passei ao lado, peguei minha Ruffles e fui procurar outros itens.
Após alguns minutos eu estava me aproximando do caixa quando percebo um carrinho de supermercado vindo a toda velocidade. Olhei o destino: um display de garrafas de cerveja. O carrinho se aproximava com fúria desumana (afinal, não é humano mesmo) e a cada milésimo de segundo que passava podia-se ver a tragédia que seria aquele monte de cerveja quebrada.
Nada estava no caminho do enfurecido carrinho de supermercado. Nesse momento a mãe do garoto começava seu longo grito a meia velocidade – aqueles gritos de filmes, em câmera lenta. O garoto apenas levou as mãos à cabeça.
Olhei para o garoto, para a mãe dele, para as cervejas e para as costas da garota mais ali à frente.
-E agora? Pensei apavorado. Isso não pode acontecer!
Rezei para que as rodas daquele carrinho travassem. Não funcionou. Torci para que o display de cerveja assumisse seu lado animado e andasse. Não aconteceu. Mentalizei uma parede à frente do display. Nada apareceu.
O carrinho ainda não desistira da missão que lhe foi imposta pelo garoto. As cervejas estavam com o seu destino selado.
Não! Algo aconteceu! De algum lugar profundo do meu cérebro veio a idéia: coloque seu pé na frente! Sem esperar o crivo da minha razão e nem da visão, a ordem se cumpriu. Pháaah, foi o barulho. O display de cerveja fora salvo.
Entretanto, como todo vilão malvado que preste, o carinho assumiu uma nova direção: o display de revistas de fofoca. Desta vez não sobrou tempo para tanta história e as revistas foram lançadas dentro dum raio de dois metros.
Alguns dos funcionários se aproximaram para ajuntar as revistas enquanto o menino levava consecutivos tapas na cabeça, proferidos por sua mãe. Todos os presentes observavam a cena.
Antes de deixar minha posição e me dirigir ao caixa pude ouvir o garoto dizendo algumas palavras abafadas pelos violentos tapas de sua genitora:
- Mas no GTA não acontece assim. E eu me enganei!
