Vou rezar para você

Tentativa de suicídio que ocorreu hoje em Curitiba. Mais um exemplo de como o ser humano é viadinho.
Ter blog custa barato, e ele te atende quando você quiser. Nada de gastar com analista, com antidepressivo, com qualquer tratamento contra os problemas.
Eu escrevo no novo-MUNDO e sei que meia dúzia vão ler, desses, dois gostarão, um não vai gostar e os outros três do not giverão a shit. É assim que funciona. E olha que eu tenho uma porrada de leitores no tal do feed rss, dos quais uma porcentagem muito pequena realmente lêem o que é postado.
Sempre quando pensei ou penso [ou pensarei] em alguma situação acabo chegando no ponto comum. É quando você tenta focar o universo alí na frente dos seus olhos fechados para ver se existe mais alguma coisa. Mas neste momento você é puxado pela consciência novamente para a vida mundana, e dai não sai nem fudendo.
Mesmo assim concluo que nada faz sentido.
Para não me tornar um rato da noite bebendo sem parar e usando drogas que literalmente queimam neurônios vestindo-se de preto e com dezenas de tatuagens demoníacas, eu tenho lá minhas verdades.
Minhas verdades tem para mim claramente que o mundo está melhorando, que a humanidade é produto de um acaso nem tão impressionante assim, et cetera. Uma dessas verdades me coloca em uma situação difícil: escrever um blog é coisa inútil, é coisa de babaca. Eu deveria estar estudando algo importante para ajudar com o progresso da ciência, para elevar a probabilidade de não extinção da raça humana.
Mas aí eu penso no trabalho que dá, eu penso na dificuldade que é. Penso que por estudar em uma escola com professores “comuns”, conviver com pessoas “comuns” e agora estudar num país que preza por indicadores no currículo lates, na quantidade ante a qualidade, etc, milhões de etc e milhares de poréns…..
Pá!
Então esqueço tudo. Abro meu Gmail e inicio o Procedimento de Procrastinação. Ou como gosto de rotular: PdP, principalmente pela semelhança gráfica com PqP.
Outra coisa que aborrece demais é ver que todos os destinos possíveis já foram pisados. Se você tornar-se um cientista renomado, bem vindo ao clube. Se tornar-se um grande político, bem vindo ao hall. Se tornar-se um rockstar, bem vindo à festa. Se tornar-se um esportista excelente, bem vindo à equipe. Se tornar-se um bilionário…ah o dinheiro. Com dinheiro em um mundo baseado em dinheiro você pode fazer muita coisa, por isso escolhi tentar ter muito dinheiro. Mas da mesma forma, bem vindo ao castelo.
Vamos continuar com esse mundo de maricas. Um mundo em que nossos instintos estão sendo sufocados. Um mundo no qual socar uma pessoa pode te levar para a cadeia. Óh! E os animais? Geral se reunia, e nos seus cavalos matavam raposas. Hoje isso é condenável. E Greenpeace então? WWF? PETA? E todas essas siglas e nomes bunitinhos.
Fossemos nós as raposas elas iriam poupar esforços? Impossível dizer. Mas se os animais estão sendo extintos é porque o ser humano ocupa o posto de mais forte do planeta.
Poderia ser patético e me filiar a qualquer uma dessas organizações bichinhas. Ir me acorrentar em árvores, tentar segurar barcos baleeiros com o peito, ou mesmo acusar as pessoas que comem carne de assassinos.
O ser humano está claramente negando seus instintos, e no dia em que eles forem eliminados dos nossos genes, após dezenas e dezenas de gerações, enfrentaremos uma morte por inanição. Uma morte chata, inodora, incolor. E aí tudo explode, o universo recomeça.
Cacete, por que o universo fica se repetindo assim? Mas espera, o que é o universo, a vida e tudo mais? Espero entender, ou parar de perguntar, quando eu tiver 42 anos.
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foto: olhosatentos.
