A prova cabal de que o ensino no Brasil foi e ainda é uma porcaria está nos comentários do meu blog.
Professores (tem algum lendo meu blog?), vou trazer uma lista de textos nos quais os comentários configuram um sério atentado à comunicação humana em língua portuguesa. Professores que tenham histórico de problemas cardíacos na família: não visitem as páginas que vou indicar!
Eu como fã daquele lingüista de nome Mário (Conhece o Mário?), Mário Perini, acredito que perseguir uma língua correta em todas as suas vírgulas, tremas, pronomes, substantivos e outros é inútil. Porém a barbárie aqui chega a tal nível que nem conseguimos entender o que as pessoas querem comunicar.
O tour começa no recente texto sobre Saddam Hussein:
sadam executado???i u bush pk esta vivo? merda po imperialismo!
Agora descemos um pouco de nível e atingimos os comentaristas do texto Scrap Automático, nele a proposta é uma, mas alguns comentários distoam completamente dessa proposta, como este:
oi td bem?
tenha um bom domingo..
O golpe final é no texto sobre o Rebelde:
U gUys R ‘D’ fuKin beSt!!!!! ii LuV Ya Guys. RBD 4-LyFe!! l0s quieR0 muChisiM0!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Não é necessário escrever tudo corretamente, mas que pelo menos se façam entender, não concorda?. O pobrema é quando nem cunsiguimo pegá a idéia que a pessoa qué passá.










janeiro 6th, 2007 at 12:47 pm
Eu sou do tipo que não aceita erro algum. Sou meio obsessivo com o Português, mas tolero pequenos erros como você disse, que não atrapalham o entendimento. Afinal, é impossível não errar.
Mas esses tipos de comentários em que os caras abreviam ao máximo me deixam muito nervoso, cara! Pra quê abreviar tanto, se o texto fica muitas vezes mais bonito se for escrito dentro dos padrões da Língua?
Claro que, utilizar umas carinhas de vez em quando, abreviar um “vc”, um “qdo” ou um “blz” não vão fazer de você um analfabeto. Afinal, precisamos nos envolver com a linguagem da Internet, mas que ela seja saudável, pelo menos.
Imagina quando essas pessoas tiverem que escrever um artigo, ou se chegarem a fazer uma faculdade, tente imaginar como seria o Trabalho de Conclusão de Curso, que exige muita escrita.
O Orkut estraga muito as pessoas, por exemplo. Lá você percebe os problemas.
Aquele comentário do “oi, bom domingo” é inútil demais e nem precisa de comentários. O último é impossível. Nem devemos nos dar ao trabalho de traduzir.
Que loucura! xD
janeiro 6th, 2007 at 1:20 pm
Odeio a gramática. Ela quer um português regrado que na verdade não existe.
Pensa aí amigo, o que é o português se não a língua que o povo fala?
O português não é aquele conjunto de gramática. Aquilo é só para tentar organizar a língua. Seguir a risca não significa que você tem um bom português.
Como falei no artigo, o lingüista Mário Perini tem umas idéias bem bacanas. Vale a pena ler o livro dele. Se não me engano o título é: “A língua do Brasil amanhã e outros mistérios”
janeiro 6th, 2007 at 1:34 pm
Mas o português que o povo fala, só existe porque foi sendo deixado de lado ou não foi bem ensinado.
Eu acho que as pessoas não deveriam falar errado. Claro que mudar isso seria impossível, mas alterar nossa língua para uma língua igual ao modo como falamos, seria um passo pra trás.
Mas não adianta discutir. Cada um tem uma opinião. Eu, particularmente, adoro a gramática em si. Acho a língua portuguesa o idioma mais lindo do mundo.
E certamente, escrever bem não é saber usar os termos gramaticais. Mas que fica bem para um bom escritor fazer uso deles, não tenho dúvidas.
Eu gosto de gramática e olha que estudo Informática. Outra coisa que acho errado são as pessoas que estudam áreas tipo a minha e acreditam que nunca precisarão do português. Que equívoco!
janeiro 6th, 2007 at 1:44 pm
Cara, pensa: se toda a população do Brasil falar Pobrema, o termo vai virar Pobrema.
Quem você acha que ganha? Um povo inteiro falando Pobrema ou um dicionário falando Problema?
Leia o livro que te indiquei, vai te tirar um pouco da nóia gramatical (que eu tinha também!).
janeiro 6th, 2007 at 1:54 pm
Certamente. Mas por quê os brasileiros precisam “enfeitar”? É muito difícil você se deparar com um caso como esse (pobrema) na Língua Inglesa, por exemplo.
Se as pessoas aprendem a falar o português errado, porque não poderiam já aprender o correto? Cada acento, cada trema, cada vírgula tem seu significado. Não estão alí apenas para embelezar o texto. E muita gente tem problemas com vírgulas, acentos… Acham inútil, mas, defintivamente, não são desprezíveis!
Vou ver se consigo o livro na semana que vem.
janeiro 6th, 2007 at 1:58 pm
além de ensinar pacas é bem divertido!
janeiro 6th, 2007 at 2:15 pm
Bom. Vamos discutir sobre o assunto. Eu sou amiga do Daniel, mas não concordo com ele. Quer dizer, em parte sim. Eu também amo a gramática brasileira, amo a nossa língua e amo escrever corretamente.
Mas eu escrevo corretamente porque eu tive oportunidades pra aprender. E quem não tem? É como você disse, Rafael, um povo inteiro falando “pobrema”, a palavra virá a ser “pobrema”. Pra mim, a gramática deve existir, sim. Mas deve ser reestruturada, de acordo com a língua falada pelo povo brasileiro. Devem existir palavras “corretas” na gramática, sim! Mas o que é a língua, se não algo feito para um povo?
Então, vamos reformular a nossa língua, ajudar o nosso povo (porque a maioria não tem oportunidades) e passar a chamar a nossa língua de língua BRASILEIRA, porque já deixamos de ser colônia de Portugal há muito tempo.
janeiro 6th, 2007 at 2:18 pm
E, ah! Eu li um livro chamado O Preconceito Linguístico, de Marcos Bagno, e A Norma Oculta, dele também. É muito bom pra desenrolar as opiniões.
janeiro 6th, 2007 at 2:19 pm
Pegue um jornal de 1920 e leia.
O idioma está em constante mudança. Não adianta querer dizer que um bando de regras vão ingessá-lo.
Mesmo caso do inglês, compare o britânico e o americano.
Por fim acho que deve continuar a se chamar português, mas de fato Português Brasileiro, como já é.
janeiro 6th, 2007 at 2:22 pm
Quanto ao português, acho que não. Se queremos modificar uma coisa, é bom começar da raiz. Os portugueses mesmo dizem que o português correto é o de Portugal. Então, que deixemos eles com a língua deles e batizemos a nossa, já que é realmente beeeem diferente.
janeiro 6th, 2007 at 2:30 pm
Tudo bem. Mas quem pode mudar e quem vai fazer isso? Quando? O que vai acontecer depois?
Imaginem para quem estudou a vida inteira maneiras de chegar a um português correto e agora vem alguém e decide mudar porque o povo ignorante decidiu mudar.
Eu me sentiria um idiota falando corretamente.
janeiro 6th, 2007 at 2:31 pm
Sei não. Revolução nunca deu certo. Prefiro Evolução.
janeiro 6th, 2007 at 2:35 pm
Deixe que as coisas aconteçam. Deu certo até hoje, afinal a raça humana ainda existe.
janeiro 6th, 2007 at 2:47 pm
É, não que estejamos brigando, mas a discussão não vai ter fim.
Cada um faz o que quiser. Somos livres, afinal.
Mas que, pelo menos, não escrevam coisas ininteligíveis como os exemplos do teu post.
janeiro 7th, 2007 at 11:37 pm
Quem escreveu aquela do bom domingo, provavelmente viu que o texto se tratava de scrap automático e, quando viu um campo de texto, foi logo ver se funcionava…
Isso me dá ódio!
março 17th, 2007 at 6:16 pm
Olá! Passando pela net, vim parar aqui. E queria só acrescentar uma informação: a língua culta nunca deixará de ser valorizada por ser a variedade padrão, “oficial” (da impresa, das leis, das ciências, da literatura, das instituições, etc.). E as mudanças num idioma falado por milhões de pessoas não são tão fáceis assim. É necessário haver um concenso entre todos os seus usuários. A diferença entre a língua falada e escrita sempre existiu - até no Latim era assim! - e o que faz a competência do usuário de uma língua é fato dele saber usar a variedade adequada a cada contexto: mais “solta” em situções informais e mas próxima das normas gramaticais em situações formais e na escrita (quando teoricamente se tem mais tempo para formular as frases adequadamente - o que aliás é exigido por sua situação de uso, uma vez que o texto tem de bastar a si mesmo, sem a ajuda do falante para esclarecimentos). Então, como os ‘post” dos blogs e Orkuts da vida são escritos, com razoável tempo para compor as idéias nas frases, acho que não custa nada o pessoal caprichar um pouco mais!