Fiat 147

E os publicitários comemoram as campanhas milionárias que, segundo eles e algumas pesquisas relativas, aumentaram as vendas. Eles criaram a demanda.

É um erro bizarro do senso-comum acreditar que o desejo do brasileiro por carros vem da comodidade, da velocidade, da praticidade ou da propaganda.

Todo brasileiro de gema usa ou já usou muito transporte coletivo na sua vida. E por isso deseja tanto ter um carro.

Os ônibus de Curitiba têm status de primeiro mundo. Para quem nunca precisou deles. Porque nos últimos anos o que se vê são coletivos super lotados em horários que, em teoria, estariam vazios. Lá pelas 10 da manhã ou 3 da tarde.

Dentro de um ônibus lotado acontece uma viagem. Cada um tem a sua. Após se acomodar em um ponto de equilíbrio, o passageiro vê a paisagem através da janela enquanto começa a pensar na vida.

Minutos depois ele não está alí. Um amigo revelou esses dias que teve um sonho psicodélico dentro de um ônibus. O cara dormiu em pé e sonhou. Sonhou com letras coloridas tomando foco: Google.

Pois é bem sensato afirmar que acordar destas viagens pessoais e tomar um choque de realidade com cheiro de sovaco e perfume barato faz o subconsciente buscar refúgio em uma possível solução para evitar aquilo novamente.

O carro se apresenta como salvador, que irá te tirar daquele inferno. Assim chegamos a conclusão que brasileiro é apaixonado por carro porque tem pavor de continuar dependendo de ônibus.