
Brasília velha em uma das praças da cidade
Reprodução não-autorizada de um texto cunhado por um personagem fictício no orkut. Retrata de maneira épica a situação de uma cidade dominada desde sempre por prefeitos incompetentes e uma sociedade imbecil.
Vale a todos os que também nunca sequer ouviram falar desta cidade. Afinal, acaba sendo uma crítica a sociedade bizarra em que vivemos nestes dias do ano de 2007.
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A cidade de Ponta Grossa está morta. Todos nós ponta-grossenses estamos à espera de uma catástrofe natural (ou não) que sepulte de uma vez por todas esta cidade moribunda. Um vulcão em erupção, um furacão, uma enchente, tremores de terra, incêndios gigantescos, ou qualquer outra coisa que acabe com tudo de uma vez para que, com sorte, outra cidade melhor possa ressurgir.
Não temos cultura. As atrações culturais que temos se resumem em espaçados eventos, ou no Cine Teatro Ópera, ou no Centro de Cultura, ou em algum outro lugar obscuro, palco de eventos obscuros, contemplados por uma minoria. Coisas das quais ninguém fica sabendo. Aqueles showzinhos daquelas bandinhas naqueles barzinhos escuros e apertados, nos quais é difícil respirar aquele ar castigado e carregado de peido, suor, vapor e fumaça de cigarro (e outros).
Quando algum evento um pouquinho maior acontece por aqui, como aquele “show” da Ivete Sangalo, a caipirada toda, que nunca viu coisa igual, vende as calças para ir. Não porque gosta das músicas da mulher ou das pernas da mulher, mas porque todo mundo vai e é feio, careta, ficar em casa.
O que há para se fazer nos fins de semana em Ponta Grossa além de perambular pela Av. München? No Magic? Rá! Se você for membro de alguma gangue que estiver em disputa por território ou simplesmente a fim de brigar, lá é uma boa opção. Na tal da Oxxi e Omega Hall? Bem, se você estiver der ouvir música eletrônica ensurdecedora acompanhada de luzes alucinantes, lá é um bom lugar. Ou isso ou algum outro lugar onde haja música ruim, gente besta, descolada, adolescentes alcoólatras, marginais, etc.
Analisemos nossas “tribos urbanas”: temos os “góticos”, metaleiros, alguns “punks”, e o que mais? Tem mais? Os góticos são palhaços. Sim. Palhaços. Eles servem somente para fazer o mundo inteiro rir até doer a barriga. Sim, porque gótico que é gótico não vai em Shopping Center. Os caras vão lá fazer tipo às três horas da tarde, num domingo de 30º, vestidos com sobretudos pretos, botas pelos joelhos, cheios de correntes (e ferragens adicionais) penduradas pelo corpo. Isso quando não pintam as caras.
Não dá pra esquecer de falar das meninas, aquelas balofas branquelas. Aquelas meninas de coragem – sim, coragem, porque pra sair por aí de mini-saia e meia arrastão, com aqueles corpos adiposos e trêmulos, tem que ter muita coragem e falta de senso de ridículo. Lamentável. Envergonham e insultam todo o movimento gótico (de verdade).
Vejamos os punks: também envergonham e insultam o movimento Punk. Quantos destes caras questionam o sistema e o modo catastrófico como as coisas vão por aqui? Pouquíssimos, pra não dizer nenhum. Ponta Grossa é um terreno mais que fértil pra contestação social, contestação à autoridade, etc. Não há nada disso por aqui. Somente conformismo e alienação. Nossos “punks”, ao invés de questionar o sistema, vão na esquina do McDonalds (tem que ser piada) tomar tubão e fazer tipo com aqueles cabelos ensebados. Lamentável. Circense.
E os metaleiros: aqueles carinhas com cara de malvado com camiseta do Iron Maiden, que outrora foi preta, mas, devido ao uso constante e incansável, jaz cinza e rota. Aqueles carinhas que vão nos shows daquelas bandinhas posers e super criativas, como o Land Of Souls e Fire Hunter, que estão há anos (décadas?) na mesma porcaria, pra agitar aqueles cabelos imundos e oleosos, encher o cú de pinga e fazer chifrinho com os dedos. Se o diabo quiser eles têm a sorte de vomitar as entranhas e cair pelas esquinas. Lamentável. Pândego.
Ah! Não dá pra esquecer de falar aqueles camaradas, popularmente chamados de “manos”, que sem por aí com seus bonés de pipoqueiro, óculos de sol (muitas vezes à noite) coloridos, cabelos medonhos descolorados, vestidos com aquelas camisetas 37 números maiores com o número 55 bordado, com aquelas calças 57 números maiores com os fundos lá nos joelhos, de modo que faz o cara que a usa parecer estar cagado, e com aqueles tênis que parecem pantufas, 89 números maiores. Insultam e envergonham o movimento rapper e hip-hop. Infelizmente, grosso modo, o vestuário descrito acima é sinônimo de banditismo. Se você passa por um sujeito vestido assim na rua você esconde o relógio e se pergunta o que há debaixo daquela camisa gigante. Sim. Não é preconceito. É conceito. São esses caras que apedrejam ônibus, que brigam no parque ambiental, que enchem o rabo de álcool e saem fazendo zona.
Por que as pessoas desta cidade não fazem zona conscientemente? Vão apedrejar a prefeitura, os postos de saúde que não funcionam, a casa do secretário de segurança, do secretário de educação, do secretário de saúde, do maldito prefeito. Façam anarquia para cobrar melhorias. Não! As pessoas aqui fazem zona porque não têm o que fazer, porque não tiveram educação ou porque o papai lhes abandou quando tinham seis anos de idade.
Falando em sistema de saúde, reparem quantos mancos, aleijados, defeituosos e deformados andam pela cidade? Pobres coitados que culpa por tal condição não têm. Vítimas, produtos de desinformação, de falta de cultura, incesto e principalmente do nosso traumático, triste, pândego, pífio, circense, inútil e mais que problemático sistema de saúde pública.
Pagamos impostos e dois reais pra andar nos ônibus socados de gente da VCG, que é a única empresa de ônibus da cidade por motivos misteriosos e óbvios: política, facilitação. Às 18h é impossível andar de ônibus. Ou você vai enfiado no meio de 80 pessoas mal acomodadas, fedidas e mal educadas ou vai a pé. A VCG não tem a capacidade de disponibilizar outros veículos nos horários de pico ou de limitar o número de passageiros. Não! Eles querem ganhar mais e mais sem gastar nada.
É em situações assim que o povo devia apedrejar e destruir os ônibus. Ao invés de apedrejar por pura farra, como fazem os bandidos da camisa 55, deviam apedrejar por revolta com o sistema de transporte público. Por que não vão à garagem da VCG e não destroem, queimam e arruínam com os ônibus. Façamos isso até haver melhoras. Um dia, eu lhes garanto, eles aprende, pela força, a ter respeito com o cidadão que depende de ônibus.
Estamos mortos, só esquecemos de nos deitar. Vivemos no caos. Não precisamos ir a São Paulo ou Rio de Janeiro para viver o caos. O caos está aqui mesmo, debaixo de nossos narizes. Temos tiros nas ruas, pessoas esfaqueadas, mulheres estupradas, assaltos, seqüestros, mero vandalismo, poluição sonora e visual. Lixo nas ruas, cachorros, muito, mas muitos cachorros sujos e sarnentos, que mijam, cagam e cruzam no meio das pessoas. É o cúmulo. Resta-me reclamar e enfiar uma torta em minha própria cara, porque sozinho não posso fazer nada.
Quando você olha ao redor e ver que o sistema falhou com todos, é triste… Você fica pensando em que mundo vive e no qual gostaria de viver.
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A cidade de Ponta Grossa está passando por um êxodo. Todos os meus antigos vizinhos tem pretensões de sair de lá o mais rápido possível. Algumas das avenidas principais são dominadas por placas de aluga-se e vende-se, retrato do comércio que mostra-se fraco e sem forças para reagir.
Antes da negação, peço que reflitam sobre o poder populista e manipulador que os prefeitos conseguem com o uso da destruída máquina pública. Não há o que ser feito.















