
Antes de sentar devidamente habilitado no acento do motorista, minha opinião era clara quanto a questão de velocidade e radares: não quer ser multado pelos radares, ande devagar seu animal.O mundo da voltas (clichê absurdo) e agora penso muito diferente: esses radares são um roubo, um espetacular estupro do bolso dos motoristas. Motoristas é a definição que inclui-me neste momento.
Apesar de todas as faixas verdes da pista, placas de sinalização eletrônica e postes de radar pintados, os radares são armadilhas de arrecadação. Vias completamente limpas, asfalto de ótima qualidade e um carro bom se tornam fatores inúteis e moralmente ultrajados por estes pardaizinhos miseráveis.
Como se não bastasse a freqüência com que surgem nas cidades, aparecem nas rodovias. Não se pode confiar nem na luz da lua de um dia frio: já vi policias segurando a arma de trás de uma moita.
Nunca iria defender a alta velocidade. É óbvio que andar a 180km/h oferece risco à vida levando-se em conta a qualidade da malha asfáltica rodoviária do Brasil (PAC Powered). Mas 110km/h é pouco demais.
Nas cidades os radares de 40km/h são árvores de dinheiro. O multado só percebe depois que passou, por causa do flash, ou quando o carteiro pede a assinatura daquela correspondência do DETRAN.
Toda a argumentação que eu coloque seria facilmente refutada pelas pesquisas de aplicação de radares. Evitam acidentes e outras besteiras. “Evitam acidentes”, pense nisso.
O que eu posso dizer é que quando o radar me faz andar devagar alimenta minha vontade interna por velocidade. Se acontece comigo, acontece com milhares de outros motoristas.
Então minha certeza é que os radares são uma bexiga que está enchendo de água aos poucos. O dia que estourar muita gente vai ficar molhada. Dê preferência a uma loira de camisa branca, mas isso inverteria a metáfora.














