Estórias Fantásticas

Bug no posto 64

Aguardando o pessoal vir buscar

Nessa festa linux sem BSOD, eu vou encontrar uma garota pinguim. Dizia um cara de uns 28 anos vestindo camisa na qual havia um pinguim estampado com a legenda Freedom. Não compreendi logo de início, por causa do som alto emitido de alguma fonte próxima, posicionada a esquerda. Apressei-me em levantar, instintivamente bati com as mãos na camisa para tirar o resto de matéria escura presente nela.

A situação naquela sala estava completamente bizarra. Umas 8 pessoas vestidas de vermelho atrás de um computador, e outras 8 vestidas de azul atrás de outro computador. No resto das dependências pessoas acompanhavam o que estava acontecendo e outras pessoas procuravam algumas outras coisas.

Ninguém me viu chegar, também pudera, pareciam um bando de jogadores de futebol depois de marcar um gol tamanha era a gritaria. Aproximei-me de alguém que parecia são e perguntei sobre o que se passava. É uma competição de programação, os dois times competem para ver qual consegue criar um universo artificial primeiro, aposto no pessoal do azul.

Obrigado, e procurei pela porta. Enquanto caminhava uns duzentos metros já distante do edifício, ouvi uma explosão enorme. Aconteceu na posição da competição. Conseguiram, pensei debochando. Quando virei-me para continuar caminhando encontrei um telefone público, era o que eu precisava.

Alô. Aqui é o Robert Frissa, há pouco estava no posto 64 para ser transportado para a cidade de Berlin. Mas aconteceu alguma coisa e fui parar no meio de uma competição de programação. Responderam: Senhor Frissa, que bom que fez contato, onde o senhor está no momento? Iremos mandar uma equipe lhe prestar auxílio. Pedimos mil desculpas pelo ocorrido, senhor.

Em 6 anos viajando pelo sistema de tele-transporte é primeira vez que me ocorre uma dessas. Pelo menos foi divertido ver a festa de programação explodir, pensou Robert sentado no banco que trazia em sua carteira enquanto aguardava alguém buscá-lo.

Juízo final de Paulo

YA

Felicidade, ou dinheiro? Paulo levantou rapidamente: Onde que eu tô?

A voz repetiu:

- Felicidade ou dinheiro?

- Felicidade. Me diz onde estou!

- Muito bem, vejamos. Temos um Típico aqui, Jorge. Jorge emitiu um pff balançando a cabeça.

- Fusca 78, rodas cromadas, pintura metálica, peças originais; ou New Beattle?

Paulo fez cara de medo e já partiu para ignorância: me diz que porra de lugar é esse aqui barbudo. Me diz ou…

- Você cai. Se der um passo pra frente cai.

Cacete, pensou Paulo. Estava numa espécie de MDF Compensado de 40×40cm. Abaixo dele estava o planeta Terra. Estava no espaço. É claro que nem se questionou como estaria respirando ou sobrevivendo ao vácuo, era um Típico afinal.

- Chega de besteiras. Me responda com sinceridade agora Paulo, você acredita em Deus?

O coração do rapaz de vinte e sete anos estava batendo mais rápido que adolescente com banda larga e suíte. Então tentou compreender a cena: dois barbudos sentados no vazio, conversando com ele. Morri, só pode. E aqui é o céu.

- Acredito.

- Bem, sem surpresas aqui Jorge, encaminhe o garoto pra cima.

Jorge tirou um iPhone do bolso e pôs-se a digitar. Logo apareceram duas enfermeiras com peitos avantajados, asas cândidas, bundas empinadas e com uma seringa enorme cada uma. Paulo estava tão abobado com a situação que deixou ser picado. Nádega direita e nádega esquerda.

Lá na Terra a turma do Paulo dizia: vamos comemorar a morte do Paulo como ele gostaria que fizessemos. Emílio, você e o Roberto vão no supermercado comprar a cerveja e a carne. Elizabete e Marta fazem a maionese e a salada. Tito, pegue esse dez reais e vá até a mercearia comprar umas velas.

Era previsto

Ande tranquilo

Comprei duas vassouras. Na verdade um dos objetos era um rodo, mas aceitá-lo-emos como vassoura neste caso. Pouco selecionadas, as vassouras pegas foram as primeiras da fila, primeiro a base vassoura em si, depois o cabo, que devidamente formam a vassoura completa. Levei as vassouras ao caixa do supermercado, cuidando para não derrubar algumas pilhas de latinhas de ervilhas estratégicamente posicionadas para chamar a atenção dos clientes potenciais de ervilhas - pessoas que tem dinheiro e gostam muito de ervilhas.

Alguns metros da saída do supermercado parei para aguardar o sinal ficar verde, para atravessar. O meu sinal de pedestre (aviso para aqueles achando que sou um suicida em potencial). Chegando próximo da calçada um carro em alta velocidade freia brucamente causando um susto extremo em meu organismo, o qual pensou se tratar da morte chegando. Desceram quatro indivíduos fortemente armados do veículo Gol branco placa AAK-4700. Carregavam fuzis automáticos, capus no rosto e vestiam um jeans bem vagabundo.

“Passa a vassoura, as duas. Não hesitarei em atirar”. Bradou um dos homem, o três. Em um veículo cabem cinco posicionados taticamente, o um é o motorista, o dois é o passageiro, e os três, quatro e cinco ficam no acento traseiro. Importante frisar que esta posição favorece o deslocamento em alta velocidade, pois quando o homem-cinco ou três bate na lateral do veículo, é um sinal para que o motorista prossiga sem olhar para os lados. Homem-três responde pelo lado esquerdo, e homem-cinco pelo lado direito da pista de rolamento.

Desesperado, joguei as vassouras ao chão. Sem mesmo tirar os olhos e a mira do seu fuzil da minha pálida face, o cidadão recolheu as vassouras, colocou-as dentro do automóvel e partiu cantando os pneus - lembrando agora, mais tarde, percebo que aqueles pneus estavam carecas e ofereciam riscos à segurança dos passageiros, dos outros motoristas e dos pedestres.

A morte do primeiro

O Gato

Era um condado no canto superior esquerdo do mapa, marcado com azul para diferenciar o resto. Chamava Cezar e seus habitantes eram cezares (Lê-se com e fechado, diferente de Cézar). Os condados vizinhos eram dois, ambos do povo chamado Decorador. Eram os decoradores.

Certo dia um problema se abateu sobre Cezar. Uma das garotas de uma família havia sumido. Ninguém sabe para onde, como ou por que. Então foi chamado o herói (ou quebra-galho mesmo). Era eu.

Percorri todos os cômodos da casa a procura de alguma pista. Levei um amigo que se interessou pelo problema. Lembro ainda que cheguei a procurar em uma gaveta de calcinhas, debaixo de um balde e atrás de um quadro de parede. Nada.

Até que me apoiando de costas em uma parede entrei como mágica em um novo cômodo.

- Você conhecia este cômodo? Perguntei a senhora dona da casa.

- Jamais tinha visto.

Logo fitei aquela escada para baixo e pensei no que poderia me aguardar lá. Abri uma espécie de escotilha e desci.

Uma sequência de túneis medievais se seguiram, com velas acesas na parede (!) e alguns baús em reentrancias. Cheguei a uma sala um pouco maior devido a alguns ruídos e encontrei algo.

A última coisa que se espera encontrar em túneis medievais abaixo de uma casa de um condado circense chamado Cezar: um gato. Aquele felino cor amarelo-queimado misturado com laranja viu que cheguei. Incrivelmente a sala era muito clara. Aí vi uma grande parede de vidro que dava para fora. A sala era clara sem isso ser incrível agora.

O que seria aquele gato? Estaria apenas perdido? Ou vivia sob a casa sem que ninguém soubesse?

Pois estas dúvidas se ocuparam de apenas um espasmo em minha mente. Corri em direção ao felino imprimindo uma curva no percurso conforme ele se deslocava. Seria difícil pegar aquele estranho ser.

Saí dos túneis e disse aos donos da casa: - Existe um gato sob sua morada. Todos olharam desconfiados como se isso representasse algo realmente ruím. - Tire-o de lá.

Desci mais uma vez com meu amigo. Agora tinhamos uma gaiola. Pegamos o gato.

Levamos para cima e percebemos o que todos queriam. Então fomos caminhando até a fronteira do condado. Próximos do portão o gato ficou extremamente louco e incontrolável. Meu amigo largou a gaiola permitindo com que o felino-diabólico fugisse.

Corremos atrás do animal. Parecia aquelas corridas para pegar porcos. O caminho do bichano não seguia padrão algum mas começavamos a nos aproximar do momento em que pegaríamos ele.

Foi quando seu caminho mudou, foi em direção ao portão, mas ele estava livre. Gritei para meu amigo pegá-lo. Se jogou no chão em direção ao bicho sem sucesso.

Então era eu e aquele maldito gato. Ele corria em minha direção para atingir o portão. Peguei a gaiola que estava do meu lado e arremessei. Com toda força que pude fazer, joguei aquele amontoado de ferro no felino. Seu rabo partiu-se ao meio e ouvi um grito de dor do bicho.

Entretanto, ele continuou a correr. Apenas pude olhar atônito quando ele atingiu o portão.

Numa pequena fenda da lateral ele parou.

Do outro lado havia outro gato. Um gato preto. E uma espécie de veículo com pessoas dentro. Aquele veículo emitiu um som que entendi como “você falhou”. O gato preto fitou meu inimigo amarelo-queimado-laranja, e ficou balançando o rabo vagarosamente como os gatos fazem.

- É um clone! Disse meu amigo em uma expressão de choque e muito medo.

Concordei, pois era inegável. Parecia que os gatos estavam de frente para um espelho e a única diferença era sua cor.

O veículo começou a se mover - e se movia como stop-motion de massinha de modelar - e sumiu. Agora como se o slow motion estivesse sendo nosso tempo, o gato inimigo foi sugado a partir de seu próprio interior, espremido por forças indescritivelmente cruéis.

E o gato preto assistiu aquilo. Quando não havia mais o outro gato, ele correu além-portão sabe-se lá para onde.

Atentado para a evolução do mundo?

 Atentado para a evolução do mundo?

As tentativas de criar um novo conceito foram frustradas pelo inevitável desgosto que sabíamos ser um possível problema. Quando dissemos sobre a equivalência de existir novas idéias naquele platô de pensamento, cujo estava para desmoronar, faltou a nós enxergar o óbvio.

Embora nosso tipo condenável de instrução tenha trazido melhoras, a classificação dos objetos relacionados era obscura. Então erramos. Confesso. O caminho da direita que sempre pareceu o certo era mesmo o certo. Errado era nosso julgamento quando passava a falsa idéia de que estávamos na direita dos fatos.

Atalhos em becos trazidos à tona por dúzias de perjúrias entrecortadas por percevejos piscando aka vagalumes. Quando um erro de conceito se estabelece nada mais importante se cria, porque tudo criado não faz jus ao tipo de pensamento.

Desevolução causada pela revolução em um tempo indeterminado pela consciência que estava a par de tudo, menos do que realmente importava. Neste momento, às três da manhã num café na da esquina Pacharreal com a Filho Dozeavos da indigna cidade de Macaghere, os pássaros não sabem mais expor idéias.

Proponho mudanças a favor da evolução. Nada de esquerda ou direita mais. Vamos à frente. Os pássaros pulam na minha garganta….pássaro….sangue…barulho de pássaros.

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Esse tipo de post era freqüente no novo-MUNDO há tempos quase ilembráveis. Voltou hoje como aquele cinco reais no bolso de um jeans velho e surrado guardado numa sacola no fundo do guarda-roupas.

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