A morte do primeiro

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O Gato

Era um condado no canto superior esquerdo do mapa, marcado com azul para diferenciar o resto. Chamava Cezar e seus habitantes eram cezares (Lê-se com e fechado, diferente de Cézar). Os condados vizinhos eram dois, ambos do povo chamado Decorador. Eram os decoradores.

Certo dia um problema se abateu sobre Cezar. Uma das garotas de uma família havia sumido. Ninguém sabe para onde, como ou por que. Então foi chamado o herói (ou quebra-galho mesmo). Era eu.

Percorri todos os cômodos da casa a procura de alguma pista. Levei um amigo que se interessou pelo problema. Lembro ainda que cheguei a procurar em uma gaveta de calcinhas, debaixo de um balde e atrás de um quadro de parede. Nada.

Até que me apoiando de costas em uma parede entrei como mágica em um novo cômodo.

- Você conhecia este cômodo? Perguntei a senhora dona da casa.

- Jamais tinha visto.

Logo fitei aquela escada para baixo e pensei no que poderia me aguardar lá. Abri uma espécie de escotilha e desci.

Uma sequência de túneis medievais se seguiram, com velas acesas na parede (!) e alguns baús em reentrancias. Cheguei a uma sala um pouco maior devido a alguns ruídos e encontrei algo.

A última coisa que se espera encontrar em túneis medievais abaixo de uma casa de um condado circense chamado Cezar: um gato. Aquele felino cor amarelo-queimado misturado com laranja viu que cheguei. Incrivelmente a sala era muito clara. Aí vi uma grande parede de vidro que dava para fora. A sala era clara sem isso ser incrível agora.

O que seria aquele gato? Estaria apenas perdido? Ou vivia sob a casa sem que ninguém soubesse?

Pois estas dúvidas se ocuparam de apenas um espasmo em minha mente. Corri em direção ao felino imprimindo uma curva no percurso conforme ele se deslocava. Seria difícil pegar aquele estranho ser.

Saí dos túneis e disse aos donos da casa: - Existe um gato sob sua morada. Todos olharam desconfiados como se isso representasse algo realmente ruím. - Tire-o de lá.

Desci mais uma vez com meu amigo. Agora tinhamos uma gaiola. Pegamos o gato.

Levamos para cima e percebemos o que todos queriam. Então fomos caminhando até a fronteira do condado. Próximos do portão o gato ficou extremamente louco e incontrolável. Meu amigo largou a gaiola permitindo com que o felino-diabólico fugisse.

Corremos atrás do animal. Parecia aquelas corridas para pegar porcos. O caminho do bichano não seguia padrão algum mas começavamos a nos aproximar do momento em que pegaríamos ele.

Foi quando seu caminho mudou, foi em direção ao portão, mas ele estava livre. Gritei para meu amigo pegá-lo. Se jogou no chão em direção ao bicho sem sucesso.

Então era eu e aquele maldito gato. Ele corria em minha direção para atingir o portão. Peguei a gaiola que estava do meu lado e arremessei. Com toda força que pude fazer, joguei aquele amontoado de ferro no felino. Seu rabo partiu-se ao meio e ouvi um grito de dor do bicho.

Entretanto, ele continuou a correr. Apenas pude olhar atônito quando ele atingiu o portão.

Numa pequena fenda da lateral ele parou.

Do outro lado havia outro gato. Um gato preto. E uma espécie de veículo com pessoas dentro. Aquele veículo emitiu um som que entendi como “você falhou”. O gato preto fitou meu inimigo amarelo-queimado-laranja, e ficou balançando o rabo vagarosamente como os gatos fazem.

- É um clone! Disse meu amigo em uma expressão de choque e muito medo.

Concordei, pois era inegável. Parecia que os gatos estavam de frente para um espelho e a única diferença era sua cor.

O veículo começou a se mover - e se movia como stop-motion de massinha de modelar - e sumiu. Agora como se o slow motion estivesse sendo nosso tempo, o gato inimigo foi sugado a partir de seu próprio interior, espremido por forças indescritivelmente cruéis.

E o gato preto assistiu aquilo. Quando não havia mais o outro gato, ele correu além-portão sabe-se lá para onde.

quarta-feira, dezembro 19th, 2007 Estórias Fantásticas
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14 Comentários to A morte do primeiro

  1. dezembro 19th, 2007

    Assina: Rafael Coelho

  2. dezembro 19th, 2007
    Bird

    sem comentarios..

  3. dezembro 19th, 2007

    Esses posts são mais interessantes que os outros. Não vou ficar enchendo linguiça dizendo que você tem que parar de fazer outros posts pra escrever apenas assim, mas eu gosto de ler coisas como esse texto.

    Abraço!

  4. dezembro 19th, 2007

    Gostei. Quando sai o próximo conto?

  5. dezembro 19th, 2007

    Quando inspiração bater. Ou eu lembrar de algum sonho que tive, como foi o caso deste.

  6. dezembro 19th, 2007

    é pó ou folha?

    rsrsrsrs

    Filipe

  7. abril 9th, 2008
    eu

    fala serio, q falta de imaginação esse conto.
    fora q ficou completamente vaga as ideias, coloque mais sentido nós seus contos.

  8. maio 13th, 2008

    GOSTARIA DE CONHECER MUITAS GENTE NOVA

  9. maio 22nd, 2008

    O comentário do tal Itamar, acima, parece ter sido plantado para podermos, novamente, rir dos “benefícios” da inclusão digital…

    Aliás, que boa idéia tive agora para um post… X)

  10. maio 26th, 2008
    Dudáh

    Que grande porcaria fla seriO.
    Oo

  11. junho 1st, 2008

    Gosto muito de gatos, tenho um siamês….mas acho que o cara que escreveu o conto tava usando a mesma coisa que João usou pra escrever o Apocalipse, kkkkk

  12. junho 6th, 2008

    Até que achei bacana esse seu texto… só o final ficou meio a desejar, depois de tanta expectativa… mas, legal! Quando sai o próximo?

  13. junho 21st, 2008
    Ágata

    PERRRRRRRRRRRTUBADOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!

  14. junho 21st, 2008
    Ágata

    Perrrrrrrrrrtubadooooooooooooo.

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