Casa velha

Naquela grande sala clara e limpíssima com móveis em mogno estavam sentados diversos senhores de meia idade numa mesa de vários metros de comprimento sob uma abóboda de vidro com detalhes em ouro.

Um deles estava desconfortável e os outros percebiam isto. Era aquele da ponta da mesa. Vestido com terno e gravata do último ano.

As palavras saiam com dificuldade da sua boca, por vezes fazia algumas pausas, ou para enxugar o suor do rosto com a toalha onde estava bordado um brasão bonito com linha dourada ou para engolir a tensão à seco.

Um debate começa entre três membros da mesa. É um debate ajustado e polido no qual os argumentos são colocados com completeza cada qual na sua hora. Após alguns minutos a reunião se encerra. O senhor da ponta da mesa ainda está com o rosto nervoso quando agradece a presença de todos. Um a um os outros cumprimentam-lo e saem.

Livre da presença de todos menos da nossa, a câmera, o senhor começa a se acalmar e na mesma hora levanta a perna direita como faz um cachorro na ponta do poste quando sente a vontade de urinar. Vagarosamente um barulho de estouros consecutivos é lançado no ambiente.

O senhor que agora está menos suado levanta-se da cadeira e pragueja qualquer coisa. Andando a passos de velocidade contida dirige-se a porta, puxa o trinco e some da nossa visão.

De repente aparecemos a frente do senhor, já saído do recinto anterior. Sua expressão ainda é pesada quando ele confessa para a esposa que flátulos o incomodaram por todo o período da reunião.

A esposa formula um sorriso condizente com sua loira beleza antes de pronunciar a seguinte idéia:

- Sofreu à toa meu respeitado esposo. Poderia ter tomado um [nome do remédio] e sua prisão dos gases ventrinos jamais teria incomodado!

O Narrador sempre onipresente e pronto, comparece para fechar o reclame:

- [nome do remédio] evita a tensão de gases intestinais modificando o cheiro dos mesmos que podem ser liberados sem a preocupação do fedimento!