
Num zoológico qualquer um dos macacos passou a agir diferente ao longo dos seus dias. Passava pelo menos quatro horas observando o céu. Os biólogos se espantaram e resolveram estudar o comportamento daquele animal. Por cinco dias monitoraram os horários do macaco. Não havia grandes surpresas nos horários, alguns dias ele comia antes, outros dias comia menos, mas nos cinco dias que se passou a observação, aquele macaco ficou no minimo 253 minutos e no máximo 277 minutos olhando para o alto. Num dos dias caiu uma chuva forte obrigando todos os animais a abrigarem-se, menos este macaco que permaneceu olhando para o céu por mais algumas horas.
O chefe do zoológico escreveu uma carta para a Universidade da cidade contando sobre o caso e pedindo orientações. Dias se passaram e nenhum contato da Universidade aconteceu. Ele ligou para lá e ficou surpreso ao ouvir que a carta não havia chegado. Resolveu contar por telefone para um professor que estudava comportamento de chipanzés. A curiosidade se espalhou e alguns dias depois quatro professores estavam no zoológico para ver de perto o que acontecia. Nenhum deles chegou a uma conclusão, apesar das diversas hipóteses. Então um deles sugeriu levar o animal para análise e alguns exames. Alguém perto do grupo ouviu e disse que não seria possível. O chefe do zoológico espantou-se ao ver o faxineiro entrometendo-se na conversa. Os professores foram embora e o chefe foi ter uma conversa com o seu empregado. Após um discurso de amor ao macaco em questão e a todos os animais daquela instituição, perguntou qual era o problema de levarem o macaco. O faxineiro respondeu que o macaco era velho e não se devia perturbar o eminente fim do pobre animal. O chefe concordou e resolveu encerrar aquele caso.
Dia após dia, ia o macaco a um local confortável onde alguns arbustos davam apoio, sentava-se e ficava olhando para cima. Foram-se vinte dias até a morte do macaco. Alguns mais especuladores foram postos quietos por argumentos de provável doença mental no animal. Toda a história daquele macaco dispersou-se em algumas semanas. Quando os curiosos já não lembravam do animal, aquele faxineiro estava com a mania de, próximo da jaula do macaco, postar-se olhando para cima. O chefe do zoológico que ainda não havia conversado em particular com o faxineiro, encontrou-lhe naquela posição e resolveu se aproximar. O chefe olhou para os olhos do faxineiro, que retribuiu o olhar e ouviu as palavras do seu superior como se fossem sua redenção. Ouvi o macaco falar-lhe, disse o chefe. O faxineiro esboçou um sorriso, recolheu as últimas folhas e saiu.