Oswaldo Cantini Braga do Alto

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on Flickr by glenmcbethlaw

A vida sempre encontra os momentos em que você está desprotegido para te surpreender. Aconteceu comigo há mais ou menos três anos quando começou a história que contar-lhes-ei neste papel.

Compareci neste mundo com o peso de 4,35kg, saudavelmente robusto, e no mesmo dia do meu nascimento abri uma conta em um banco private no qual depositei a quantia de dinheiro equivalente a 4,35kg de ouro. Quem abriu a conta e depositou o dinheiro foi meu pai, mas gosto de colocar em perspectiva. Este fato é para ilustrar quanto o dinheiro se fez presente na minha vida desde que nasci. Cresci numa família de bilionários, políticos influentes e pessoas de destaque na alta sociedade. E então comprei aquela fazenda próxima de Colocado do Alto, no Mato Grosso.

Cento e trinta mil hectares de terra que levei meses para conhecer por completo. Voava com meu monomotor sobre a propriedade, que era dotada de uma pista pequena de aeroporto. Cavalgava com meus cavalos pelos trechos de campo aberto e pasto. Navegava com minha lancha pelo rio que beirava uma área limítrofe da fazenda. Tudo isso fazia valer aquela terra que havia adquirido, por um preço bem inferior ao praticado pelo mercado é verdade, mas ainda uma importante quantia.

Eis que durante um tempo que passei resolvendo negócios na Europa quase duas centenas de famílias de sem-terras e outros grupos sociais invadiram parte do meu terreno e assentaram-se sem permissão. Quando voltei ao Brasil a situação já estava incontrolável. A reintegração de posse, portanto, não foi requisitada por causa de um acordo particular com o prefeito de Colocado do Alto, este temia que as milhares de pessoas pudessem ir para um local ainda mais próximo da sua cidade. Recuei as cercas da fazenda e ainda ofereci água potável e trabalho para muitas pessoas do novo assentamento.

No ano de 2006 após um ano e meio de invasão, o assentamento antes constituído de pau e lona tornou-se uma pequena vila na qual eu explorava o comércio de produtos e a mão de obra dos moradores. Até que certa vez fiz uma visita como sempre fazia na venda da vila com minha HILUX cabine dupla 4×4, mas a visita não foi como normalmente acontecia. Meu automóvel quebrou e sem sinal do celular Vivo V3 precisei pedir para que um mensageiro a cavalo fosse até a cidade trazer um mecânico. Posei naquela noite na casa da dona Elvira, mulher humilde que contou-me como criou os nove filhos que amontoados dormiam no colchão fino no chão da residência.

O contato com os moradores aumentou e a minha preocupação com as crianças idem. Durante meses pensei numa forma de tornar a vida daquelas crianças um pouco menos sofrida, de certa forma mais doce: contratei professores e mandei erguer escola com biblioteca que hoje contem mais de trezentos títulos, solicitei a Vivo que providenciasse uma torre de celular possibilitada através dos meus subsídios e então doei celulares a todos na vila, mandei trazer ferro e uns caras da Metalúrgica Brasil lá da capital que construiram algumas traves de futebol além de providenciar a instalação de um corrimão para o banheiro para portadores de deficiencia da escola. Porém, tudo era nada em minha cabeça. As crianças mereciam algo a mais. E num dia olhando fotos no orkut de um sócio que fora comigo à Europa tive um estralo! Finalmente havia encontrado uma maneira de mostrar para as crianças que elas devem correr atrás dos seus sonhos.

Na Europa uma das empresas com a qual negócios financeiros foram realizados por via do Banco Colheita (meu banco) tinha um nourral especialíssimo. Por meio de um conjunto de tecnologias é possível produzir chuva, e ainda mais especial no nourral deles permite anexar pequenos objetos na produção das nuvens.

Fiz chover goma de mascar, balas sete belo e torrões de paçoquinha sobre a vila. Foi o dia mais feliz da minha vida. Guardarei para sempre em meu coração o sorriso completo daquelas crianças catando doces no chão como galinha que busca o milho com o bico. Uma das crianças passou por mim segurando a camisa pelo peito, na qual estavam depositados os doces coletados, formando uma bolsa de produtos açucarados. Ela gritava loucamente “tá choveno chicrete”.

A vila cresceu e ganhou o meu nome. O pedido de emancipação política ja foi encaminhado. Hoje posso dizer que sou alguém realmente realizado na vida. Devo dizer que gastei quase 4,35kg de ouro para fazer a chuva de doces mas tudo valeu a pena, porque quando meus netos olharem para trás, meus netos que provavelmente serão a elite política de Oswaldo Cantini Braga do Alto, irão ver que seu avô foi o cara mais legal do mundo.

segunda-feira, julho 20th, 2009 Sem Sentido Sabido

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7 Comentários to Oswaldo Cantini Braga do Alto

  1. julho 20th, 2009

    caramba o.o’, sensacional

  2. julho 20th, 2009
    Doug

    ;)
    kim lindow

  3. julho 20th, 2009

    Isso que é vida!

  4. julho 21st, 2009
    OO

    Lembrei da Igreja Internacional ponto com agora riariaria

  5. julho 21st, 2009

    Os netos vão achá-lo o cara mais legal do mundo, com certeza, mas os filhos dirão que gastou dinheiro demais.

  6. julho 21st, 2009
    Nome

    É bom ver que ainda existe pessoas com bom coração..

  7. julho 23rd, 2009
    Johnny

    genial e bastante motivador

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