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Nosso escritório é modesto: quatro funcionários, se contar o Wii (que entrou para substituir a moça do cafézinho). As três pessoas que aqui trabalham, fazem algo muito oculto. Eu as pago, não mexo com elas, elas trabalham. Simples. Deixa eu contar mais sobre os empregados do novo-MUNDO.

Os três trabalham na mesma mesa, que tem umas pequenas divisórias, cada um com um notebook da Apple, no cômodo que estava sobrando. Raramente entro lá, afinal qualquer interferência causaria perda de produtividade, seja lá o que estejam produzindo.

O cara que senta na esquerda é magrão, alto pra lá de dois metros e, é estranho dizer isso, mas vai: sempre está alí. Jamais vi um dia sequer ele levantar-se para ir ao banheiro ou tomar um Yakult (não tem água aqui), ou ir embora. Parece que está empalhado, só suas mãos movimentam-se. Tenho um pouco de medo, mas enquanto ele produz, deixo como está.

As duas garotas provavelmente são amigas bem íntimas. Sempre estão conversando, em nível ultrasônico. Só dá para ouvir uns zunidos. Não interfiro nessa prática porque parece-me que assim trabalham melhor.

A política do novo-MUNDO diz que devemos pagar bem, cada um recebe $250 dólares por dia e mais alguns benefícios, como vale refeição no buffet próximo daqui.

Enfim, aqui no computador tenho um software que apresenta duas barrinhas, elas indicam como está todo o meu negócio. A da direita chama-se Produtividade, e permite-me saber como estão trabalhando meus funcionários. Como ela sempre está verde nunca questiono o trabalho deles. A barra da direita indica lucro, sempre meio vazia, e por isso que eu também tenho que trabalhar.