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Dissabores da vida cotidiana

dissabored

Lendo sobre o uso descabido do Juizado Cível Especial para ações de Danos Morais, uma frase de um jurista qualquer me chamou a atenção e não sai dos meus pensamentos, “dissabores da vida cotidiana“. Segundo ele, muitas das ações de danos morais que são propostas poderiam não acontecer caso as pessoas fossem mais respeitosas e tolerantes umas com as outras.

A individualidade para um ser que é social

O culto da individualidade é claro na sociedade em que estamos inseridos (estamos eu e você, que temos acesso a internet, computador, provavelmente cinema e outras doutrinas ocidentais). Os dias passam e para não encostar no outro, para não olhar nos olhos do próximo, criamos barreiras que se fortalecem ainda mais quando objetos são acoplados a nossa existência. Desde nossas roupas que dizem se temos mais dinheiro e seguimos o gosto daqueles que tem mais dinheiro ainda, passando por fotos em diversos lugares de férias e clubes noturnos, até aquele objeto chamado carro, que praticamente nos faz seres biomecânicos.

Somos ensinados, e sabatinados com avisos a todo momento, que ter é importante. A posse nos faz pessoas, e quanto mais posses, melhores seremos. Entrar em uma loja e não levar nada é vergonhoso, os vendedores tratam as pessoas como um porquinho de moedas, que chacoalham até que saia algo. Se não sair, logo perdem o interesse e ficam emburrados. Nas ruas, carros maiores e mais potentes querem mais espaço, e querem mostrar velocidade, se impor. Quem tem mais, tem mais direito. Na política também, as concessões são dadas conforme as posses de quem solicita. Mais direitos para quem tem mais. Na televisão, a programação é cravada de anúncios, e tudo se pinta como necessário, tenha para viver.

Agressão ao ter é agressão ao ser

Chegamos ao ponto que uma agressão qualquer aos objetos que a pessoa possui, objetos que se ligam a individualidade dela, configura um ataque à pessoa. Um pequeno acidente de automóvel é como se fosse uma briga de punhos, as vezes leva à luta corporal com atitudes descabidas. Se o xuxu pula o muro, reclama-se da pessoa vizinha por não manter as suas plantas longe das nossas. Uma imagem, uma fotografia, ganha status de propriedade e seu uso é restrito para não ferir a individualidade. Os exemplos são muitos.

Pequenos dissabores então ganham importância, e as pessoas recorrem a Justiça para arbitrar seus problemas do cotidiano.

Lembro que no texto, o autor citava o exemplo de uma mulher que, proibida de entrar em uma festa por não estar com o calçado adequado, entrou com ação de Danos Morais contra a organização do evento afirmando que havia passado por situação vexatória que marcaria o resto dos seus dias. Vamos acordar! Pelo que resta de bom senso! Não é possível viver assim, dependente de uma instituição para decidir a respeito dos nossos pequenos problemas. Cadê a conversa, cadê o contato humano, a tolerância, cadê nosso lado social? Somos seres sociais e sobrevivemos por milhares de anos por causa dessa característica, a individualidade tem que permanecer restrita ao nosso íntimo, associar objetos à nossa individualidade não é o caminho correto de convivência, entretanto, infelizmente, é o que está acontecendo.

Tolerância? Bom senso? Dissabores da vida cotidiana são muitos, mas superáveis através da sociabilidade que nos é inerente. Colocar nossa individualidade em uma latinha, e correr como um cão medroso para os braços de instituições não irá nos fazer felizes. Vamos tolerar mais, ensinar através de atitudes que ser social é, pelo menos tentar, entender o outro.

Essa dica pode não ser interessante para você. Mas para mim foi e por isso resolvi compartilhar. Essa ideia que tem me acompanhado pelo trânsito, pelas calçadas, através das pessoas e por outros lugares está me fazendo mais feliz, fazendo com que o bom senso apareça com mais frequência, e acima de tudo, me fazendo sentir uma pequena parte do todo, da humanidade.

Postado em por rslonik

6 Comentários to “Dissabores da vida cotidiana”

Priscila 15/10/2010 às 4:24 pm

Dentre o tema abordado não me contive: afinal se o assunto é para o povão de cultura e daqueles que tem dinheiro o suficiente para comprar papel higienico e “marido”, conforme tentou esse site MARavilhoso esclarecer, nao poderia deixar aqui uma dica “….passant” – Diante a todos os dissabores que todos nos temos na vida – chorar só ajuda a ter mais rugas ( e ca entre nos “queridas” rugas só para quem não pode) entao o caminho é SORRRRIIIIIIIIIIIAAAAAAAAAAAAAA afinal alem de exercitar os musculos da face, minimizando assim a decadencia total que a idade traz a todos ( se bem que para algumas é MUITO GENEROSA, porisso Graças a Deus) quanto ao sexo : a inteligencia e a performance não vejo relação de analogia QUERIDA a nao ser que tenha partido essa questao de uma mulher PORTUGUESA – porque só quem é desejada de VERDADE ainda que não esteja perto vive melhor do que a que COLA do lado ( mesmo sabendo que na hora ah……. é só nela que ele pensa, é quando ele podera culminar a sua xistencia) então Meninas – fiquem atentas!!!!! somos carcaça e a beleza nunca vem de fora, é ao contrário, apesar que no meu caso tive a sorte de ter as duas – Graças a Deus