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Justiça é Deus

Tulipa

Coloquei no twitter uns pensamentos que me ocorreram a partir da leitura sobre mercado de capitais, operações a futuro, continuo com o assunto aqui no blog.

Em 1631 surgia em Amsterdam (cidade sempre a frente de seu tempo?) a primeira bolsa de valores moderna. Imagine você: os caras negociando contratos futuros de Tulipas. Eles PROMETIAM que daqui dois meses iriam pagar 15pila por um punhado de flores. Daqui a dois meses um punhado dessas flores estava valendo 10pila. Eles tinham que HONRAR o compromisso e pagar 15pila.

Antigamente as virtudes eram a LEI. O NOME é que dizia se alguém era confiável ou não. Hoje a LEI não valoriza as virtudes ou o nome (em TEORIA), que são características indiferentes aos olhos da Justiça. Isso é uma evolução se pensarmos que agora qualquer um tem a chance de ascender socialmente, já que pode ter acesso a conhecimento.

Também nos tempos de 1600′s, desonra era condenada com a passagem só de ida para o inferno. Hoje a passagem é para a cadeia.

Então, penso que a Justiça é um novo Deus. Trocamos os dogmas religiosos pelos dogmas econômicos.

“O único homem que nunca comete erros e aquele que nunca faz coisa alguma”  – Franklin Roosevelt

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Foto: Per Ola Wiberg on flickr.

Postado em por rslonik

4 Comentários to “Justiça é Deus”

Renato Castilho 19/10/2009 às 4:09 pm

Tem uma obra de um camarada chamado Jean-Jacques Rousseau entitulada “O Contrato Social” (séc.XVIII) que trata bem desse assunto. A partir dessa época passa a valer cada vez mais a LEI do papel e não a LEI “natural” entre os homens, que, como você disse honravam o nome. No meu entender quanto mais papel, quanto mais contratos e leis pior vai ficar, claro que precisamos das LEIS mas em demasia toda essa estrutura nos engessa, oprime e porque não dizer escraviza, exatamente (de novo) como você disse, o dogma religioso (engessa/oprime/escraviza) sendo substituído pelo dogma ecônomico/judicial/político.

Renato Castilho 19/10/2009 às 1:09 pm

Tem uma obra de um camarada chamado Jean-Jacques Rousseau entitulada “O Contrato Social” (séc.XVIII) que trata bem desse assunto. A partir dessa época passa a valer cada vez mais a LEI do papel e não a LEI “natural” entre os homens, que, como você disse honravam o nome. No meu entender quanto mais papel, quanto mais contratos e leis pior vai ficar, claro que precisamos das LEIS mas em demasia toda essa estrutura nos engessa, oprime e porque não dizer escraviza, exatamente (de novo) como você disse, o dogma religioso (engessa/oprime/escraviza) sendo substituído pelo dogma ecônomico/judicial/político.

Evandro Cesar 19/10/2009 às 6:00 pm

Boa lembrança essa do Renato e o pior de tudo mesmo que pode ser lido no livro de Rousseau não é só o engessamento, mas também o abandono das leis morais, da sinceridade e honra com a palavra dada (já que falamos de escritores) como disse Maquiavel: “Manter a fé da palavra dada” onde ele dá conselhos não muito bons sobre leis também hahaha
O problema sempre está nas pessoas, não está nas leis nem nas religiões e sim no que elas fazem usando isso tudo a seu favor e sem qualquer escrúpulo. Um canalha é sempre um canalha, seja ele ateu, homem de lei ou católico, não importa…

Evandro Cesar 19/10/2009 às 3:00 pm

Boa lembrança essa do Renato e o pior de tudo mesmo que pode ser lido no livro de Rousseau não é só o engessamento, mas também o abandono das leis morais, da sinceridade e honra com a palavra dada (já que falamos de escritores) como disse Maquiavel: “Manter a fé da palavra dada” onde ele dá conselhos não muito bons sobre leis também hahaha
O problema sempre está nas pessoas, não está nas leis nem nas religiões e sim no que elas fazem usando isso tudo a seu favor e sem qualquer escrúpulo. Um canalha é sempre um canalha, seja ele ateu, homem de lei ou católico, não importa…