Juízo final de Paulo

Felicidade, ou dinheiro? Paulo levantou rapidamente: Onde que eu tô?
A voz repetiu:
- Felicidade ou dinheiro?
- Felicidade. Me diz onde estou!
- Muito bem, vejamos. Temos um Típico aqui, Jorge. Jorge emitiu um pff balançando a cabeça.
- Fusca 78, rodas cromadas, pintura metálica, peças originais; ou New Beattle?
Paulo fez cara de medo e já partiu para ignorância: me diz que porra de lugar é esse aqui barbudo. Me diz ou…
- Você cai. Se der um passo pra frente cai.
Cacete, pensou Paulo. Estava numa espécie de MDF Compensado de 40x40cm. Abaixo dele estava o planeta Terra. Estava no espaço. É claro que nem se questionou como estaria respirando ou sobrevivendo ao vácuo, era um Típico afinal.
- Chega de besteiras. Me responda com sinceridade agora Paulo, você acredita em Deus?
O coração do rapaz de vinte e sete anos estava batendo mais rápido que adolescente com banda larga e suíte. Então tentou compreender a cena: dois barbudos sentados no vazio, conversando com ele. Morri, só pode. E aqui é o céu.
- Acredito.
- Bem, sem surpresas aqui Jorge, encaminhe o garoto pra cima.
Jorge tirou um iPhone do bolso e pôs-se a digitar. Logo apareceram duas enfermeiras com peitos avantajados, asas cândidas, bundas empinadas e com uma seringa enorme cada uma. Paulo estava tão abobado com a situação que deixou ser picado. Nádega direita e nádega esquerda.
Lá na Terra a turma do Paulo dizia: vamos comemorar a morte do Paulo como ele gostaria que fizessemos. Emílio, você e o Roberto vão no supermercado comprar a cerveja e a carne. Elizabete e Marta fazem a maionese e a salada. Tito, pegue esse dez reais e vá até a mercearia comprar umas velas.
