O macaco e o céu 2

Januário trabalhou por toda a sua vida como zelador no Zoológico da cidade. Começou aos quinze, após ser abandonado pelo pai depois de alguns dias da morte de sua mãe, a confusão o fez perambular pela cidade, e numa dessas andanças acabou entrando no Zoológico e pedindo um emprego, ganhou também um cantinho no qual pode morar. Januário contava em um surrado caderninho o número de anos trabalhados limpando as casas dos animais que tanto ama, o registro soma cinco décadas.
No último dia dos seus sessenta e cinco anos de idade, Januário reconheceu que o trabalho estava lhe deixando cansado, escreveu uma carta para o Diretor pedindo para encontrarem um substituto, que em algumas semanas estaria saindo. O Diretor, pego de surpresa, fez uma visita a Januário, questionou o que mais poderia querer da vida um homem de sessenta e cinco anos que trabalhou a vida toda no Zoológico. Você não vai encontrar emprego em outro lugar, fique aqui, não precisa mais trabalhar, lhe ajudaremos a pagar seus custos de vida. Januário se recusou sem esclarecer motivos.
Passaram-se quinze dias úteis, Januário sumiu. Passaram-se vinte dias úteis, chegou um novo animal ao Zoológico, um macaco próximo da morte, velho demais. Passaram-se dezoito dias corridos, na tarde do décimo nono o diretor foi ver como estava o velho macaco, que começou a proferir sons inteligíveis, o diretor, que já havia presenciado algo assim, congelou e ouviu:
“Ele era meu pai, Diretor, meu pai”
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Leia “O macaco e o céu” (E por favor desconsidere os vários erros de pontuação naquele texto)
